quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Rádio Espectador Interessado (2)


Um excelente sentido para uma descrição da vertiginosa paixão pelo imediato.
Do que se sente e deseja. De como se vive.

A farsa que é viver segundo o lema: "Tudo. Agora!"

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Master Class - Brent Johnson

"O mundo é dos psicopatas"

Partilhamos com os nossos leitores uma apresentação de Brent Johnson - Santiago Capital.
Brent gere um fundo de investimento e nele mantém uma exposição importante aos metais preciosos, especialmente ao ouro.
A apresentação estabelece, com humor e ironia, o contexto em que o sucesso das políticas económicas e monetárias actual deve ser compreendido.
O que pode perder-se na (pouca) sofisticação dos meios usados, ganha-se seguramente no alargamento de perspectiva.

Alguns dos tópicos abordados são (actualizado):

- as tensões entre o dólar, as taxas de juro e o ouro não são tão claras quanto se quer fazer crer;
- o sistema financeiro tem falhas estruturais;
- o tecto da dívida americana - um tema recorrente;
- o círculo vicioso que a FED vai intensificar quando der início ao "aperto quantitativo" e à normalização do seu balanço;
- a dissonância cognitiva dos vários observadores dos mercados;
- a genialidade e a sabedoria dos psicopatas - um teste à natureza da imagem pública dos banqueiros centrais;
- o sistema de preços e valorizações económicos e financeiros não é credível - consequência não intencionada?;
- a psicologia que não podemos esquecer quando tentamos compreender as acções e discursos dos curadores de serviço - no caso, os participantes na comissão da FED.

Aos leitores apresentam-se as desculpas pelo lapso na primeira edição desta entrada.
A sinopse desta apresentação estava errada e correspondia a outra entrada. Ultrapassado o lapso, que esta apresentação possa ser um bom exercício reflexivo acerca dos eventuais cenários para os próximos seis a dezoito meses. Nas suas dimensões económicas, financeiras e políticas.
Especialmente porque ela desafia o perigoso consenso a que tantos se entregam.

Boas reflexões.


segunda-feira, 31 de julho de 2017

Radar


Por entre fogos e militares espanhóis a combater os mesmos, por entre as palavras do presidente-animador (doentias especulações de orientação motivacional) espelhadas pelos meios convencionais de informação, não há quem dê por conta disto?
A notícia da Reuters começa por dizer que são os "Estados Nação", mas isto é um balão de ensaio. Só pode.

O título da notícia é prometedor: "União Europeia explora medida de congelamento de contas para prevenir corrida aos bancos"
Assim. E não há quem analise, discuta e se oponha? Mas não estamos a caminho de um paraíso de prosperidade? Para que servem, então, estas medidas?
Se algum leitor tiver acesso ao relatório que o artigo refere, por favor, partilhe na caixa de comentários.
Agradecemos todos.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

O reforço de um mundo de animação


Depois dos discursos e encenações desta semana por parte da equipa da FED, o mercado sabe com o que pode contar. Os índices bolsistas continuarão a sua ascensão como paradigmas de uma "economia de sucesso". E os curadores, quais mandarins ilustrados, mantêm a sua máquina de entorse perceptivo.
Lacy Hunt - que por aqui já recebeu a nossa atenção - cita Alan Meltzer acerca dos erros que a FED cometeu, comete e continuará a cometer quando segue os modelos e as ferramentas erradas para cumprir o seu mandato.
Traduzo: "O erro da FED é continuar a basear-se em modelos como a Curva de Phillips... que ignora a influência do papel da moeda, do crédito e dos preços". Esta teimosia, insiste Hunt, impede a FED de seguir tendências mais persistentes na moeda e no crédito, comprometendo o seu próprio papel estratégico no seio das exigentes componentes do seu mandato.

É caso para perguntar se esta gente acredita mesmo na sua poção mágica...

domingo, 16 de julho de 2017

Radar


As recentes manobras de charme de Macron junto dos líderes europeus está a acelerar a concentração. Do projecto europeu. Parece estar em desenvolvimento adiantado a criação de um Fundo Monetário Europeu (concorrente do FMI). Alguns vêem já a hipótese de um verdadeiro Tesouro Europeu.
Pergunto-me: alguém discutiu isto? Houve algum referendo que legitimasse tal aprofundamento político, económico e financeiro?
Ninguém responde.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

China - que poder alternativo?

Selecciono e traduzo uma parte de uma excelente reflexão levada a cabo por Chris do projecto "Capitalist Exploits" que, de Singapura, vai produzindo as suas análises económicas, financeiras e políticas.
Naturalmente, recomendo a leitura integral do artigo.
Importa coligir alguma informação acerca da iniciativa da Nova Rota da Seda que a China está, lenta e consequentemente, a implementar. Tem a sua componente marítima e terrestre e comporta uma amálgama de instituições e parceiros (veja-se aqui).
Aqui pelo Espectador Interessado, há muito que vamos dando conta da extensão e qualidade destes movimentos e iniciativas - aqui, aqui ou aqui.
Os negritos e adaptações são da minha responsabilidade.
Como a China está a aumentar o seu poder global

A China tem ao seu dispor múltiplos modos através dos quais pode projectar o seu poderio económico, melhorar a sua balança comercial e exercer controlo sobre a dívida dos seus parceiros comerciais. Ao fazer uso deles, lentamente, garante uma influência política e económica que se reforça constantemente.
Caso sejam bem sucedidos nos seus intentos com a Nova Rota da Seda [conhecida internacionalmente como One Belt, One Road, daqui em diante referida por OBOR], a China pode esperar mitigar alguns dos seus problemas - que resultam do ciclo doméstico de crédito mal-parado - e, incidentalmente, garantir aquela projecção política e económica.
Os comentadores da iniciativa OBOR parecem dividir-se entre optimistas e cépticos quanto à capacidade da China em alcançar os seus objectivos com tal iniciativa. À partida, a ideia parece simples: a OBOR promete abrir mercados para as exportações chinesas. Mas essa abordagem parece-me simplista e inocente. Quanto mais investigo este tópico, mais concluo que há muito mais por detrás da OBOR do que se pode ver para já. Os chineses são muita coisa, mas não são estultos.
Consideremos alguns dos seus problemas, das suas ambições e a razão pela qual a OBOR é central para o mandato de Xi.

Excesso de capacidade

A China sofre de um excesso de capacidade produtiva e também de um problema interno de dívida no seu sistema bancário. Mas a OBOR pode providenciar os meios para a China diminuir essa dívida e exportar esse excesso de capacidade. Os chineses podem alcançar isso permitindo financiamento a países que estejam, desesperadamente, a necessitar dele – a Grécia encaixa aqui muito bem.

Aliviar a bolha de crédito

Certamente que um elevado nível de crédito não produtivo castiga o crescimento do produto chinês, mas considere-se o seguinte: e se a China transferisse a sua dívida doméstica para o balanço dos seus parceiros na OBOR?
Como?
O governo chinês pode emprestar aos seus parceiros o dinheiro necessário para grandes projectos de infra-estruturas – como, de resto, já estão a fazer. Quando esses projectos estiverem a ser construídos, uma boa parte dessa construção será atribuída a companhias chinesas, dando-lhes a hipótese de exportar o excesso de capacidade e ao mesmo tempo diminuir a bolha de crédito.
A China tem cerca de três triliões de dólares em papel/crédito que pode entregar a troco de poder e influência. Pense-se nisto:
O que é preferível?
Uma pilha de dólares? Com a FED ao leme que tem mostrado, sem ambiguidades, que assim que surjam as dificuldades, abandona o seu papel de referência monetária em prol da segurança e estabilidade política doméstica?

Ou apostar numa iniciativa que dá vantagem política e económica de alcance global?

A arma mais poderosa

domingo, 2 de julho de 2017

Medo do futuro ou antecipar um modo de controlo

Ler aqui

Os curadores estão a assumir uma posição acerca das novas tecnologias financeiras.
Se é uma atenção genuína, isto é, se visa analisar a sua natureza e as suas potencialidades para evitar os erros cometidos no passado e no presente... tenho dúvidas. Muitas.

E repare-se a legenda escolhida para a imagem. Esta atenção à China, pela perspectiva das potencialidades disruptivas é também curiosa. E muito.

O título é delicioso no processo de transferência que faz da atenção aos perigos apenas para o que é novo. Como se as tecnologias e estratégias financeiras dos últimos cem anos não tivessem riscos. E a tomar as palavras de Yellen na semana passada, esta gente julga que não há riscos nenhuns nas "jogadas das mentes brilhantes" dos últimos cem anos.

Está bem, está bem. Acredita quem quiser.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Impostos - um cruzamento


Já Nozick, na sua objecção à "Teoria da Justiça" de Rawls (talvez o "liberal" mais amado por socialistas), se referia a "uma concepção padronizada de justiça" que a respectiva teoria comportava. Essa concepção, dizia Nozick, exigia uma intervenção recorrente e mais intensa por parte do estado para fazer cumprir o segundo princípio (segunda alínea) da justiça de Rawls.
Esse princípio - da igualdade de oportunidades - parecia ignorar que as pessoas, sendo diferentes, ao fim de algum tempo teriam entre si novas diferenças, o que exigiria novas interferências de políticas redistributivas que se financiavam nos recursos de alguns cidadãos.
Ora, essa intervenção parecia aceitar que a esses cidadãos não se reconhecesse o respeito pela sua dignidade e da sua propriedade em prol da satisfação daquele segundo princípio.
Nesse caso, não se vê como pode Rawls negar a visão utilitarista das soluções políticas, ou escapar à acusação de que a sua sociedade justa permitiria uma certa escravatura.

É precisamente neste cruzamento, neste dilema que urge dar espaço à discussão destes temas. O facto (mais do que certo, arrisco) de estas referências causarem sorrisos e (até) estupefacção em alguns leitores é, julgo, o justo sinal do cruzamento em que nos encontramos.

Agradecimento a João Cortez (mais uma vez) pela lembrança. A quem sorri, desafio que tente responder à questão que conclui o artigo de Cortez.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Citação do dia (199)

"A liquidação de um banco cujo valor estava nos milhões de milhões em pleno mercado vigoroso e uma economia a crescer?
Um raro e estranho avistamento, seguramente.

O anúncio de hoje de que o Banco Popular Espanhol SA seria absorvido pelo mais sólido Banco Santander, sob os auspícios do Banco Central Europeu pelo preço de um euro, aviva a memória relativa a Março de 2008, do Bear Stearns e de J.P.Morgan."

James Grant, "Almost Daily Grant´s", 7 de Junho de 2017

Tradução e itálicos da nossa responsabilidade.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

sexta-feira, 12 de maio de 2017

O que for preciso. Até quando?


Ao cuidado dos optimistas de serviço.
Passam pelos oráculos as notícias de que o paraíso está aí. E, efectivamente, alguns números são "fortes", "animadores", e por aí fora.
Não esquecer que essa "força", esse "ânimo" tem o pulmão, permitam-me a expressão, do BCE. E a dívida aumentando...

O que acontecerá se o acelerador de liquidez encontrar a parede?

E ninguém pergunta pela justiça (social, tão querida dos curadores de serviço) de tais "apoios"?

sábado, 22 de abril de 2017

As curvas do sonho. Contraplacado. (actualizado)




Pergunto-me pelo fundamento de tanto optimismo dos curadores e das suas hostes.
Surpreende-me a inesperada vitalidade financeira que manifestam tantos municípios da área metropolitana de Lisboa a realizar obra por estes meses.
Assustam-me as mansas (mas mais ruidosas) reivindicações corporativas.

Só quando contemplo estas tabelas compreendo.
São os mágicos de serviço - os tecnocratas dos bancos centrais e seus associados políticos - a dar vida a esta economia colossal. Onde não há critérios de análise objectiva, não há independência dos seus agentes, onde o (suposto) regulador está investido nas entidades que é suposto regular.
Nada disto passa de uma economia de contraplacado. De uma economia sonhada, de contraplacado bem pintado e promissor. Mas que não pode resistir ao mais pequeno (mas sério) desafio.

Importa não esquecer, todavia, é que o BCE terá atingido a margem máxima de compra de títulos portugueses. O mesmo está prestes a acontecer a outros países europeus - como a Itália. Cuidado com ela. Mais preocupante que a Grécia.

Por muito sérios que possam ser os resultados das eleições francesas, quem vencer terá de enfrentar estas condicionantes. Elas são inescusáveis.
Para onde iremos a seguir?

Actualização: O Banco Central Europeu acaba de avisar que está preparado para a possível turbulência após as eleições em França - "está preparado para injectar dinheiro nos bancos franceses".
Ver aqui